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sábado, 20 de junho de 2009

Escatológico!

"De ratos, baratas e outros insetos"
(ou Quanto vale a sua lealdade?)
"Em política, prepare-se para trair e para ser traído".
(frase usada por dez entre dez consultores em livros e
cursinhos de marketing político partidários)
A lealdade está a venda. Sim, é verdade.
A "onda", agora, é ser pragmático: mudar de lado ou de opção é apenas uma questão de preço (ou de cargo).
Muita gente que, até ontem, estava reclamando e chorando, clamando por "urgentes mudanças", agora começa a "aceitar os fatos da vida", que "as coisas são assim mesmo e que é complicado mudar".
É realmente complicado mudar estruturas viciadas. Quem chega, mesmo que esteja bem intencionado, esbarra em barreiras de interesses, por vezes intransponíveis.
Como bem disse Paulo Betti, "não é possível fazer política sem colocar a mão na merda". No pior sentido da frase, pode-se entender que ninguém sai limpo deste jogo, onde os interesses pessoais ou de determinados grupos, além da hipocrisia prevalecem. Mas também dá prá entender que, se compararmos a nossa política ao esgoto, é preciso colocar a mão na merda para resolver problemas que causam mal estar a todos.
A política do esgoto ou "aceitando os fatos da vida".
É que no esgoto da política, convivem por motivos diversos, ratos, baratas e demais insetos.
Os ratos, cada vez mais gordos e agressivos, tem no esgoto a sua proteção. É para lá que retornam depois de predar a vontade, contaminar, disseminar seu mal. Já as baratas e outros insetos repulsivos vivem, realmente, daquele ambiente. Retiram de lá o seu alimento, reproduzindo-se em velocidade espantosa, quase como replicantes e acabam se canibalizando.
Ratos e baratas convivem, mesmo sem se misturar. Só tem em comum, precisar do mesmo ambiente. Já as baratas e os demais insetos disputam espaço na podridão.
No esgoto da política, "quem aceita os fatos da vida" pode, no máximo, torna-se um rato. Mas, normalmente, os novos cooptados não podem nem escolher entre ser uma barata ou qualquer outro inseto repulsivo da mal cheirosa fauna das fossas. É agarrar a oportunidade e repetir aos quatro ventos que "as coisas são assim mesmo e que é complicado mudar"
Normalmente, a barata (ou qualuer outro inseto) justifica sua entrada no esgoto pela necessidade de sobreviver. Ele gostaria de ser um inseto livre, viver na natureza, mas "as coisas estão difícies e ele tem que se sustentar". Uma vez lá dentro, vai olhar com inveja para os ratos. Se puder, vai se metamorfosear em pulga, para conviver mais de perto com estes, mesmo correndo o risco de ser devorado.



E as "mudanças urgentes"?
Meu avô, o "seu Paschoal", era encanador. Quando eu era menino, várias vezes o acompanhei, carregando orgulhoso, uma pasta velha, de couro, onde ele guardava petrechos e ferramentas.
Quando ele chegava na casa das pessoas, tinha que resolver situações extremas: esgoto vazando, vasos sanitários entupidos... Coisas com as quais ninguém quer mexer, mas com as quais são impossíveis de conviver.
Se o dono da casa aceitasse o fato como "coisa da vida" e se meu avô considerasse que "certas coisas são difíceis de mudar", metade da Vila Madalena estaria submersa em fezes.
Ainda bem que eles acreditavam na viabilidade das "mudanças urgentes"!
Moral da história: ratos, baratas e parasitas se proliferam, um cheiro nauseabundo empesteia o ar, mas já que "é complicado mudar", o que resta é "aceitar os fatos da vida" e mergulhar na merda, com gosto!
Marcelo Mungioli, publicado no ano de 2007, nos blogs “Ubatuba Víbora” e “O Guaruçá”.

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